Termos Políticos
| Darine Stela |
Como decidir em quem votar, quem eleger? Uma decisão que fica cada vez mais difícil diante da perfeição das propostas apresentadas pelos candidatos no decorrer das campanhas, das mobilizações e manifestações públicas de amor à pátria. Discursos enfáticos sobre as possibilidades de crescimento do país. Será tão difícil assim discernir entre um governo e outro, uma proposta e outra?
O que movem as escolhas do eleitorado? A falação sobre ideais políticos, questões sociais, saúde, segurança e educação? A pressão e/ou opressão disseminada por coligações? O que seriam os termos políticos dentro desse cenário violento?
Pelo princípio da representatividade política e visando estender nossas utopias sociais enquanto sujeito eleitor (que almeja mudanças numa esfera dita “democrática”), acabamos na mira de discursos políticos, puramente uma falação partidária em nome do povo. Nos remetemos a uma alucinação combinada entre: quem fala e quem escuta, um “diálogo mudo” ou melhor, um monólogo político. Num clima de passividade diante de posposta apresentadas em época eleitoral, muitas vezes somos condicionados à estagnação pessoal, à aceitação barata. Diante disso, como nos comportamos? Consentimos com a situação? É fácil escutar promessas eleitorais, o complicado é decifrá-las de forma literal, pois o contexto sempre muda depois de cada eleição (ou mesmo durante as campanhas).
Infelizmente não reservamos toda a culpa aos “faladores”, pois cabe a ressaltar nossa indiferença diante dessa falação. Talvez pela comodidade em apenas ouvir, afinal, questionar é mais complicado, despende tempo, envolve reflexão, busca, posicionamento e isso não convém a todos. Ser uma pessoa crítica nem sempre convém, contudo é necessário que sejamos e tenhamos a consciência desse significado.
Mas sabe qual é o problema? É o simples fato de que todas as propostas são boas, todos os candidatos são perfeitos. Esse é problema!! Talvez por este motivo é tão difícil escolher apenas um representante entre tantos “Tiricas” que se apresentam.
Lutamos com as armas que temos, já diziam por aí. Hoje temos o voto, que até pode ser considerado como uma arma de destruição em massa. Votar é uma atitude perigosa atualmente, assim como a Liberdade de Expressão, a Democracia e até “bolinhas de papel” podem ser utilizadas em ataque e/ou defesa de direitos.
É plausível aquele astuto eleitor que negocia seu voto, pois cada um faz uso deste como em entende, é decisão do cidadão, pertence a ele o bom (ou mau) uso desse direito.
Alguns inclusive, negociam o voto da família toda. Uma negociação bem simples, basta dizer: “vendido, pode levar, meu voto é todo seu!”. O problema é que urna eletrônica não emite nota fiscal para comprovar a compra, troca ou venda. Não há seguro, não há correção monetária, não há testemunhas e o prejuízo pode ultrapassar a margem de quatro anos. Dessa forma, saibamos como aplicar esse investimento da melhor forma possível. A responsabilidade deve ser assumida, prezado eleitor.
Oh, Democracia! Esta que não obriga ninguém a participar sem vontade, que não exige de ninguém o ato de pensar, de questionar ou de se envolver. És justa, nos permite a omissão política. A democracia é perfeita, nos ampara quando optamos pelo silencio e deixamos a “maioria” decidir.
Somos um povo heterogêneo, somos verde e amarelo e, neste momento, pintados de Azul e/ou Vermelho - com uma estrela no peito - mas também podemos ser Branco ou Nulo. E quem pode ser condenado ou quem poderá condenar esse arco-íris?
Cada um com sua democracia, com os termos políticos que mais lhe forem favoráveis, o que importa é que essa tão bonita “Paz no futuro e glória no passado” proclamada em coro pelos filhos dessa terra, não acabe em uma conversa entre estranhos. Ah, “gigante pela própria natureza”, meu Brasil em sua essência... “Salve, Salve”








comentários
Adoro suas crônicas...
esta em particular está ótima pois retrata realmente o sistema político do nosso país...
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